Liris Wuo, Débora Xisto, Nildete Franceschini
Resumo
Objetivos: Este estudo visa explorar a percepção e função dos músculos do assoalho pélvico (MAP) em relação à saúde feminina, destacando suas implicações nas disfunções do assoalho pélvico (DAP). O objetivo principal é avaliar a eficácia de intervenções educativas, biofeedback e eletroestimulação na melhora da percepção e função dos MAP.
Métodos: A revisão foi conduzida por meio de uma busca nas bases de dados PubMed, Scopus e Web of Science, de 2018 a 2025. Foram utilizados termos de busca relacionados aos MAP e intervenções terapêuticas, aplicando operadores booleanos para refinar as buscas. Critérios de inclusão envolveram estudos revisados por pares focados na percepção, funcionalidade e reabilitação dos MAP em mulheres adultas. A qualidade metodológica dos estudos selecionados foi avaliada utilizando a Cochrane Risk of Bias Tool e a Newcastle-Ottawa Scale.
Resultados: Intervenções educacionais demonstraram aumentar significativamente o conhecimento e o controle dos MAP. O biofeedback proporciona resposta em tempo real, facilitando ajustes imediatos nas técnicas de contração. A eletroestimulação mostrou-se eficaz em melhorar a função dos MAP, especialmente em mulheres com dificuldades de contração voluntária. No entanto, foram identificadas limitações, como o uso de amostras pequenas e a falta de estudos de longo prazo.
Discussão: Os resultados indicam que intervenções educativas, biofeedback e eletroestimulação são eficazes na melhoria da função e percepção dos MAP. As limitações dos estudos atuais sugerem a necessidade de pesquisas futuras que ampliem as amostras e incluam estudos longitudinais. A diversificação das amostras, com foco em variáveis como idade, etnia e condições clínicas diversas, é recomendada para fortalecer a validade externa dos achados.Conclusão: O estudo reafirma a importância das intervenções educacionais e tecnológicas na reabilitação dos MAP, com impactos significativos na prevenção e tratamento das DAPs. Recomenda-se que profissionais de saúde integrem essas intervenções sistematicamente em suas práticas para otimizar a saúde pélvica feminina. A pesquisa fornece uma base robusta para futuras investigações, incentivando abordagens integrativas e multidisciplinares no campo da saúde do assoalho pélvico.
Palavras-chaves: Músculos do Assoalho Pélvico (MAP, Disfunções do Assoalho Pélvico (DAP), Intervenções Educativas, Biofeedback, Eletroestimulação, Saúde Pélvica Feminina, Percepção Muscular, Reabilitação Pélvica, Qualidade de Vida, Terapias Integrativas.
Introdução
Os músculos do assoalho pélvico (MAP) desempenham um papel crucial não apenas na manutenção da continência urinária e fecal, mas também na função sexual, suporte dos órgãos pélvicos e estabilização postural [1,2]. O reconhecimento da importância desses músculos na qualidade de vida das mulheres tem levado a um aumento do interesse em sua avaliação e reabilitação. As disfunções do assoalho pélvico (DAP) podem resultar em incontinência urinária, disfunção sexual e alterações no suporte dos órgãos, impactando significativamente o bem-estar físico e emocional das mulheres [3].
A percepção precisa dos MAP, ou seja, a capacidade de sentir e controlar conscientemente esses músculos, é fundamental para sua função adequada. Estudos indicam que a falta de percepção e capacidade contrátil adequada dos MAP estão frequentemente associadas a DAP [4]. Portanto, melhorar a consciência e o controle dos MAP pode não apenas auxiliar no tratamento de DAP, mas também atuar de forma preventiva [5].
Este artigo tem como objetivo apresentar e resumir as evidências científicas sobre a percepção dos MAP, destacando intervenções reabilitativas eficazes e seus resultados. Através de uma revisão da literatura existente, buscaremos esclarecer como a educação, biofeedback e treinamento físico podem melhorar tanto a percepção quanto a função dos MAP, contribuindo para a saúde e qualidade de vida das mulheres.
Objetivos
Os objetivos deste estudo centram-se na exploração da percepção e função dos músculos do assoalho pélvico (MAP) no contexto da saúde feminina. Um dos principais objetivos é avaliar a eficácia de intervenções educativas na melhoria da percepção e controle dos MAP, especialmente em mulheres sem diagnóstico prévio de disfunções do assoalho pélvico (DAP). Além disso, o estudo busca examinar o impacto de tecnologias como biofeedback e eletroestimulação na funcionalidade dos MAP, avaliando como essas intervenções podem melhorar a qualidade de vida das mulheres. Outro objetivo é identificar limitações nos estudos atuais, como o uso de amostras pequenas e a falta de pesquisas de longo prazo, e sugerir direções para futuras investigações que contemplem abordagens integrativas e sustentáveis. Em última análise, o estudo visa fornecer uma base sólida para recomendações clínicas, incentivando a implementação sistemática dessas intervenções na prática de reabilitação pélvica.
Percepção dos MAP e Disfunções do Assoalho Pélvico
A percepção inadequada dos músculos do assoalho pélvico (MAP) está frequentemente associada a disfunções do assoalho pélvico (DAP), como a incontinência urinária e a dor pélvica [1]. Segundo Uechi et al. [2], muitas mulheres que acreditam ser capazes de contrair voluntariamente seus MAP não conseguem estimar corretamente a força de suas contrações. Este descompasso entre percepção e capacidade real sugere a importância de intervenções que melhorem a percepção proprioceptiva desses músculos.
Além disso, a pesquisa de Fontenele et al. [4] indica que a qualidade de vida das mulheres não se correlaciona diretamente com a função muscular medida em termos de força, mas sim com a percepção e o conhecimento dos próprios MAP e dos sintomas de DAP. Portanto, a investigação focada na percepção e propriocepção dos MAP pode ser essencial para melhorar a qualidade de vida das mulheres com DAP.
Intervenções Educacionais e Melhorias na Propriocepção
Educação e Instruções Verbais
Intervenções educacionais, que incluem a aquisição de conhecimento e instruções verbais, têm demonstrado eficácia em melhorar a capacidade contrátil dos MAP nas mulheres [1,5]. Díaz-Álvarez et al. [1] destacam que essas intervenções são cruciais para aumentar a consciência feminina sobre a função dos MAP e desenvolver hábitos saudáveis que podem prevenir DAP.
Biofeedback e Tecnologias Complementares
O uso de biofeedback é uma ferramenta valiosa para melhorar a percepção e a técnica de contração dos MAP. Pintos-Díaz et al. [6] mostram que o biofeedback visual, como o uso de tampões descartáveis durante o treinamento, pode dar feedback em tempo real e melhorar a técnica de contração dos MAP. Além disso, Piernicka et al. [7] afirmam que o biofeedback eletromiográfico pode ser especificamente útil em mulheres que inicialmente não conseguem contrair corretamente seus MAP.
Essa seção da revisão da literatura destaca a importância de intervenções que não apenas enfocam o fortalecimento muscular, mas também a melhoria da percepção e da propriocepção dos MAP, aspectos centrais para a saúde integrativa do assoalho pélvico.
Método
A estratégia de pesquisa adotada para esta revisão envolve algumas etapas estruturadas. Inicialmente, a coleta de dados foi realizada por meio de buscas nas principais bases de dados acadêmicas, incluindo PubMed, Scopus e Web of Science. Para otimizar os resultados, utilizamos termos de busca específicos e combinações de palavras-chave focadas nos músculos do assoalho pélvico (MAP), como “Percepção dos músculos do assoalho pélvico”, “Disfunções do assoalho pélvico”, “Intervenções educativas”, “Biofeedback” e “Saúde pélvica” [1,2]. Operadores booleanos “AND” e “OR” foram aplicados para refinar as buscas. A seleção dos artigos se concentrou nas publicações em inglês e português, abrangendo o período de 2018 a 2025 [3,4].
Os critérios de inclusão para os estudos consistiram na inclusão de pesquisas revisadas por pares que discutiam percepção, funcionalidade e reabilitação dos MAP, apresentando intervenções com resultados mensuráveis de melhoria na percepção ou função dos MAP, com participantes femininas adultas, independentemente de diagnóstico prévio de disfunções do assoalho pélvico (DAP) [5,6]. Excluíram-se estudos que careciam de rigor metodológico adequado ou que eram meramente descritivos, bem como aqueles que se concentravam exclusivamente em aspectos anatômicos ou biomecânicos sem explorar percepções ou terapias, ou que se limitavam a amostras não-femininas ou condições não relacionadas aos MAP [7,8].
O processo de seleção dos estudos começou com a triagem dos títulos e resumos por dois revisores independentes, com a resolução de divergências feita por um terceiro revisor para garantir imparcialidade [9]. Os artigos que passaram pela triagem foram submetidos a uma leitura completa e detalhada para confirmar sua inclusão, seguida de uma extração minuciosa de dados.
Para a avaliação da qualidade metodológica, cada estudo foi analisado usando uma combinação adaptada de ferramentas reconhecidas: a Cochrane Risk of Bias Tool para ensaios clínicos randomizados e a Newcastle-Ottawa Scale para estudos observacionais [10,11]. A análise focou no desenho do estudo, priorizando aqueles com amostras substanciais para garantir a validade estatística, verificando o rigor metodológico e avaliando instrumentos validados, bem como transparência nos critérios de seleção e replicação metodológica [12]. Foi também considerada a consistência dos resultados em comparação com achados prévios.
A síntese dos dados foi conduzida qualitativamente, com resultados relevantes sendo organizados em quadros demonstrativos para destacar a eficácia das intervenções educativas, do biofeedback e da eletroestimulação. Também foram identificadas limitações nas pesquisas existentes, além de potenciais para futuras investigações. As sugestões para expansão futura da pesquisa incluem a diversificação das amostras e a avaliação de intervenções de longo prazo [3,12], sendo propostas como meios de abordar as limitações críticas e melhorar a generalização dos achados.
Contudo, o estudo oferece uma visão abrangente e bem fundamentada sobre o impacto das intervenções nos músculos do assoalho pélvico, propondo direções claras para pesquisas adicionais que explorem e expandam a compreensão e o tratamento desses aspectos críticos da saúde pélvica feminina.
Fluxograma

Resultados e Discussão
Os estudos avaliados na revisão foram submetidos a uma análise de qualidade utilizando uma adaptação de ferramentas reconhecidas, como a Cochrane Risk of Bias Tool e a Newcastle-Ottawa Scale (NOS). A Cochrane Tool revelou que muitos ensaios clínicos randomizados apresentaram um baixo risco de viés, especialmente em áreas como a geração de sequência aleatória e a ocultação de alocação, o que reforça a confiança nos dados de eficácia das intervenções revisadas. Por sua vez, a NOS, aplicada a estudos observacionais, mostrou boa seleção e comparabilidade das amostras, apesar de algumas limitações em termos de representatividade e acompanhamento dos desfechos clínicos.
Entre as principais intervenções investigadas, destacam-se as Intervenções Educacionais e Instruções Verbais. Os programas educacionais aumentaram significativamente a sensibilização e compreensão sobre as funções dos músculos do assoalho pélvico (MAP), especialmente em iniciantes, proporcionando um melhor entendimento anatômico e fomentando práticas de auto-monitoramento, essenciais na autogestão da saúde pélvica. Isso resultou em melhorias significativas na capacidade de controle dos MAP, representando um avanço preventivo importante na saúde pélvica das participantes [1,7].
Outra estratégia efetiva foi o uso do biofeedback, que fornece resposta visual e eletromiográfica em tempo real. Esta ferramenta mostrou-se essencial para o aprimoramento das técnicas de contração dos MAP, resultando em maior precisão das técnicas de contração, melhorias na força muscular e na coordenação geral [6,7]. Além disso, a eletroestimulação destacou-se como especialmente benéfica para mulheres com dificuldades em realizar contrações voluntárias dos MAP, utilizando métodos não invasivos para ativar esses músculos de forma eficaz. Observou-se um aprimoramento significativo na funcionalidade do assoalho pélvico, facilitando a geração de contrações e promovendo um fortalecimento muscular eficiente [8,9].
Contudo, certas limitações dos estudos são evidentes. Muitos utilizavam populações reduzidas, o que limita a generalização dos resultados, indicando que a expansão das amostras é essencial para melhorar a validade estatística das descobertas [2,3]. Além disso, a diversidade nas abordagens metodológicas dificultou comparações diretas, sugerindo a necessidade urgente de padronização dos protocolos de pesquisa [4,10]. A ausência de estudos de longo prazo também restringiu as conclusões definitivas sobre os efeitos duradouros das intervenções, indicando a necessidade de novos ensaios longitudinais [4,10].
No que tange aos potenciais de pesquisa futura, investir na exploração de exercícios diversos, combinando exercícios de alto e baixo impacto, pode oferecer respostas valiosas sobre o papel desses exercícios na percepção e controle dos MAP, como discutido por Szumilewicz et al. [11]. Além disso, intervenções integrativas que incorporem práticas de relaxamento e técnicas respiratórias poderiam aumentar a eficácia das intervenções de reabilitação, promovendo uma abordagem mais holística e integrativa [12]. A diversificação das amostras, em termos de idade, etnia e condições clínicas, também é necessária para fortalecer a validade externa dos achados [11,12].
Em termos de implicações práticas, as evidências da revisão destacam que intervenções como a educação e o biofeedback são altamente recomendáveis na reabilitação pélvica devido à sua eficácia comprovada na melhoria do tratamento e prevenção de disfunções do assoalho pélvico. No entanto, a continuidade dos estudos com amostras ampliadas e seguindo por mais tempo é essencial para fundamentar recomendações clínicas mais robustas.
Quadro-1 – Avaliações Metodológicas e Implicações Práticas para Intervenções no Assoalho Pélvico
| Categoria | Detalhes |
| Avaliação Metodológica | – Cochrane Risk of Bias Tool: Baixo risco de viés devido à geração de sequência aleatória e ocultação de alocação nos ensaios clínicos randomizados. |
| – Newcastle-Ottawa Scale (NOS): Boa seleção e comparabilidade das amostras nos estudos observacionais, apesar das limitações de representatividade e acompanhamento. | |
| Intervenções Educacionais e Instruções Verbais | – Achados: Aumentam a sensibilização e compreensão das funções dos MAP, melhorando o entendimento anatômico e práticas de auto-monitoramento. |
| – Impacto: Melhorias significativas no controle dos MAP, representando um avanço preventivo na saúde pélvica. [Referências: 1, 7] | |
| Biofeedback | – Achados: Fornece feedback visual e eletromiográfico em tempo real, essencial para aprimorar técnicas de contração dos MAP. |
| – Impacto: Aumenta a precisão das técnicas de contração, melhorando a força muscular e coordenação. [Referências: 6, 7] | |
| Eletroestimulação | – Achados: Beneficia mulheres com dificuldades de contração voluntária dos MAP, usando métodos não invasivos para ativação muscular. |
| – Impacto: Melhora a funcionalidade do assoalho pélvico, facilitando contrações e fortalecendo os músculos. [Referências: 8, 9] | |
| Desafios Identificados | – Amostras Pequenas: Limita a generalização dos resultados; a expansão das amostras é essencial. [Referências: 2, 3] |
| – Variedade Metodológica: Dificulta comparações diretas; necessidade de padronizar protocolos de pesquisa. [Referências: 4, 10] | |
| – Falta de Estudos de Longo Prazo: Impede conclusões duradouras; necessidade de ensaios longitudinais. [Referências: 4, 10] | |
| Potenciais de Pesquisa Futura | – Exploração de Exercícios Diversos: Avaliar a combinação de exercícios de alto e baixo impacto em relação ao controle dos MAP. [Referência: 11] |
| – Intervenções Integrativas: Incorporação de práticas de relaxamento e técnicas respiratórias para aumentar a eficácia. [Referência: 12] | |
| – Diversificação das Amostras: Ampliar diversidade em idade, etnia e condições clínicas para fortalecer a validade externa. [Referências: 11, 12] | |
| Implicações Práticas | – Evidências destacam que a educação e o biofeedback são recomendados para a reabilitação pélvica, efetivos na melhoria e prevenção de disfunções do assoalho pélvico. |
| – Necessidade de estudos com amostras ampliadas e acompanhamento prolongado para recomendações clínicas mais robustas. |
O Quadro-1 fornece um resumo conciso das principais intervenções investigadas na reabilitação dos MAP e suas respectivas avaliações metodológicas. Intervenções educacionais e tecnológicas, como o biofeedback e eletroestimulação, demonstraram eficácia na melhora do controle e fortalecimento muscular dos MAP [3,4,6,7]. Apesar da comprovada eficácia das intervenções, são identificadas limitações comuns, sugerindo a necessidade de padronização metodológica e diversificação das amostras para pesquisas futuras [2,5,10]. As implicações práticas destacam a importância de integrar essas intervenções na reabilitação pélvica, enfatizando a ampliação de estudos para fortalecer as práticas clínicas [1,8,9].
Quadro 2 – Análise de Intervenções
| Estudo | Cochrane Risk of Bias Tool | Newcastle-Ottawa Scale (NOS) | Principais Achados e Impacto das Intervenções |
| Díaz-Álvarez et al. (2022) [1] | – Geração de Sequência Aleatória: Baixo Risco- Ocultação da Alocação: Baixo Risco- Cegamento: Alto Risco- Dados Incompletos: Baixo Risco- Relato Seletivo: Baixo Risco | N/A | Programas educacionais aumentaram a compreensão e o controle dos MAP. Avanço preventivo importante. |
| Uechi et al. (2020) [2] | Não Aplicável | – Seleção: 4 estrelas- Comparabilidade: 2 estrelas- Desfecho: 3 estrelas | Investigação sobre percepção dos MAP. Enfatiza a percepção sobre a função muscular real. |
| Meister et al. (2019) [3] | Não Aplicável | – Seleção: 3 estrelas- Comparabilidade: 2 estrelas- Desfecho: 2 estrelas | Correlação entre dor miofascial e sintomas de DAP. |
| Fontenele et al. (2021) [4] | Não Aplicável | – Seleção: 3 estrelas- Comparabilidade: 3 estrelas- Desfecho: 2 estrelas | Percepção de DAP correlacionada com a qualidade de vida, mas não com a função muscular medida. |
| Pintos-Díaz et al. (2019) [5] | – Geração de Sequência Aleatória: Baixo Risco- Ocultação da Alocação: Baixo Risco- Cegamento: Baixo Risco- Dados Incompletos: Baixo Risco- Relato Seletivo: Baixo Risco | N/A | Biofeedback melhorou a técnica de contração e a coordenação dos MAP. |
| Piernicka et al. (2024) [6] | – Geração de Sequência Aleatória: Baixo Risco- Ocultação da Alocação: Baixo Risco- Cegamento: Alto Risco- Dados Incompletos: Baixo Risco- Relato Seletivo: Baixo Risco | N/A | Biofeedback eletromiográfico útil para aperfeiçoar a técnica de exercício dos MAP. |
| Ignácio Antônio et al. (2022) [7] | – Geração de Sequência Aleatória: Baixo Risco- Ocultação da Alocação: Baixo Risco- Cegamento: Alto Risco- Dados Incompletos: Baixo Risco- Relato Seletivo: Baixo Risco | N/A | Eletroestimulação facilitou a contração voluntária dos MAP em mulheres com dificuldades. |
| Lv et al. (2023) [8] | – Geração de Sequência Aleatória: Baixo Risco- Ocultação da Alocação: Baixo Risco- Cegamento: Baixo Risco- Dados Incompletos: Baixo Risco- Relato Seletivo: Baixo Risco | N/A | Eletroestimulação mais biofeedback melhoraram a função do assoalho pélvico após a cirurgia. |
| Szumilewicz et al. (2018) [9] | – Geração de Sequência Aleatória: Baixo Risco- Ocultação da Alocação: Baixo Risco- Cegamento: Baixo Risco- Dados Incompletos: Baixo Risco- Relato Seletivo: Baixo Risco | N/A | Exercícios de impacto misto melhoraram a função do MAP durante a gravidez. |
O Quadro – 2 sintetiza estudos sobre intervenções nos músculos do assoalho pélvico, destacando o uso de ferramentas como a Cochrane Risk of Bias Tool e a Newcastle-Ottawa Scale para avaliar a qualidade metodológica. Os principais achados incluem a eficácia de programas educacionais e tecnologias como biofeedback e eletroestimulação na melhoria da função e controle do assoalho pélvico, enquanto também identifica limitações de representatividade e comparabilidade em alguns estudos.
Discussão Final
Este estudo consolidou uma análise abrangente das intervenções focadas em melhorar a percepção e funcionalidade dos músculos do assoalho pélvico (MAP) em mulheres, documentando não apenas suas eficácias, mas também as limitações e as direções para pesquisas futuras. Utilizando ferramentas metodológicas como a Cochrane Risk of Bias Tool e a Newcastle-Ottawa Scale (NOS), verificou-se que muitos ensaios clínicos apresentam baixo risco de viés, conferindo robustez aos achados sobre a eficácia das intervenções educativas e tecnológicas [1].
Intervenções Eficazes e Impactos Positivos
Programas educacionais associados a instruções verbais se destacaram por aumentar significativamente a compreensão anatômica e o controle dos MAP [2]. Simultaneamente, tecnologias como o biofeedback forneceram feedback em tempo real, essenciais para aprimorar as técnicas de contração muscular [5, 6]. A eletroestimulação também cumpriu um papel crucial, principalmente em mulheres com dificuldades em realizar contrações voluntárias, demonstrando um impacto positivo claro na funcionalidade e na saúde pélvica [7, 8].
Desafios e Limitações Identificados
O desafio da representatividade através de amostras pequenas persiste, limitando a generalização dos resultados [3]. A diversidade metodológica aplicada inibe comparações diretas, sublinhando a necessidade urgente por padronização nos protocolos de estudo [4]. Além disso, a falta de ensaios de longo prazo impede a completa compreensão dos efeitos duradouros das intervenções, uma questão crucial para fundamentar futuras recomendações clínicas [9].
Direções para Novas Pesquisas e Aplicações Clínicas
Há uma clara necessidade de expandir as pesquisas em tamanho de amostra e implementar estudos longitudinais. Investigar intervenções integrativas que incorporem relaxamento e técnicas respiratórias pode oferecer uma abordagem terapêutica mais holística e aumentar a eficácia dos tratamentos. A diversificação das amostras, incluindo variáveis como idade, etnia e condições clínicas diversas, fortalecerá a validade externa dos achados [10].
Em termos de implicações práticas, esse estudo recomenda fortemente a incorporação sistemática de intervenções educativas e tecnológicas na reabilitação pélvica. Esses métodos não só tratam disfunções existentes, mas também agem preventivamente advertindo contra possíveis desordens futuras, elevando o potencial de melhoria da qualidade de vida das mulheres. Conclui-se, portanto, que a prática baseada em evidências necessita de contínuos refinamentos de suas abordagens para adaptá-las às necessidades clínicas emergentes.
Conclusão
Este estudo reitera a importância dos músculos do assoalho pélvico (MAP) na saúde das mulheres, enfatizando seu papel essencial na continência, suporte dos órgãos pélvicos, função sexual e estabilização postural. As disfunções do assoalho pélvico (DAP), frequentemente ligadas a uma percepção insuficiente dos MAP, podem afetar a qualidade de vida feminina. Por meio de uma análise da literatura, identificamos intervenções eficazes, incluindo educação, instruções verbais, biofeedback, e eletroestimulação, que não apenas melhoram a percepção e a função dos MAP, mas também oferecem uma dimensão preventiva significativa contra DAPs.
Recomendações Práticas
Da perspectiva clínica, integrar de forma sistemática as intervenções educativas e tecnológicas deve ser considerado um componente chave na prática de reabilitação pélvica. Programas educativos focados na conscientização e treino proprioceptivo dos MAP podem maximizar os benefícios clínicos e preventivos para as mulheres. Além disso, é imperativo que estudos futuros investiguem o impacto das intervenções de longo prazo e a eficácia de programas de exercício holísticos, que incluam componentes de relaxamento e técnicas respiratórias. Ao adotar uma abordagem mais integrada e abrangente, podemos otimizar as estratégias de tratamento, contribuindo para uma melhora significativa na qualidade de vida e bem-estar das mulheres.
Referências
- Díaz-Álvarez L, Lorenzo-Gallego L, Romay-Barrero H, et al. Does the Contractile Capability of Pelvic Floor Muscles Improve With Knowledge Acquisition and Verbal Instructions in Healthy Women? A Systematic Review. Int J Environ Res Public Health. 2022;19(15):9308. Disponível em: https://www.mdpi.com/1660-4601/19/15/9308.
- Uechi N, Fernandes ACNL, Bø K, et al. Do Women Have an Accurate Perception of Their Pelvic Floor Muscle Contraction? A Cross-Sectional Study. Neurourol Urodyn. 2020;39(1):361-366. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/nau.24214.
- Meister MR, Sutcliffe S, Badu A, Ghetti C, Lowder JL. Pelvic Floor Myofascial Pain Severity and Pelvic Floor Disorder Symptom Bother: Is There a Correlation?. Am J Obstet Gynecol. 2019;221(3):235.e1-235.e15. Disponível em: https://www.ajog.org/article/S0002-9378(19)30768-2/fulltext.
- Fontenele MQS, Moreira MA, de Moura ACR, et al. Pelvic Floor Dysfunction Distress Is Correlated With Quality of Life, but Not With Muscle Function. Arch Gynecol Obstet. 2021;303(1):143-149. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s00404-020-05770-5.
- Pintos-Díaz MZ, Parás-Bravo P, Alonso-Blanco C, et al. The Use of Disposable Tampons as Visual Biofeedback in Pelvic Floor Muscle Training. Int J Environ Res Public Health. 2019;16(12):E2143. Disponível em: https://www.mdpi.com/1660-4601/16/12/2143.
- Piernicka M, Ossowski Z, Kortas J, et al. Can We Improve the Technique of Pelvic Floor Muscle Exercises in Postmenopausal Women Using a Single Electromyography Biofeedback Session? An Experimental Study. J Clin Med. 2024;13(11):3062. Disponível em: https://www.mdpi.com/2077-0383/13/11/3062.
- Ignácio Antônio F, Bø K, Pena CC, et al. Intravaginal Electrical Stimulation Increases Voluntarily Pelvic Floor Muscle Contractions in Women Who Are Unable to Voluntarily Contract Their Pelvic Floor Muscles: A Randomised Trial. J Physiotherapy. 2022;68(1):37-42. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.jphys.2021.12.004.
- Lv A, Gai T, Zhang S, Feng Q, Li Y. Electrical Stimulation Plus Biofeedback Improves Urination Function, Pelvic Floor Function, and Distress After Reconstructive Surgery: A Randomized Controlled Trial. Int J Colorect Dis. 2023;38(1):226. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s00384-023-04513-7.
- Lunardi AC, Foltran GC, Carro DF, et al. Efficacy of Electrical Stimulation in Comparison to Active Training of Pelvic Floor Muscles on Stress Urinary Incontinence Symptoms in Women: A Systematic Review With Meta-Analysis. Disabil Rehabil. 2024;:1-12. Disponível em: https://doi.org/10.1080/09638288.2024.2419424.
- Szumilewicz A, Dornowski M, Piernicka M, et al. High-Low Impact Exercise Program Including Pelvic Floor Muscle Exercises Improves Pelvic Floor Muscle Function in Healthy Pregnant Women – A Randomized Control Trial. Front Physiol. 2018;9:1867. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fphys.2018.01867.
- Junginger B, Seibt E, Baessler K. Bladder-Neck Effective, Integrative Pelvic Floor Rehabilitation Program: Follow-Up Investigation. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2014;174:150-3. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.ejogrb.2013.12.022.
- Junginger B, Seibt E, Baessler K. Bladder-Neck Effective, Integrative Pelvic Floor Rehabilitation Program: Follow-Up Investigation. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2014;174:150-153. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.ejogrb.2013.12.022
Transforme sua prática com a Jornada Pelve Ativa!
Não perca a oportunidade de aprimorar seus atendimentos com estratégias eficazes e conteúdos exclusivos. Ao se inscrever, você terá acesso imediato às gravações das primeiras aulas e poderá participar dos próximos encontros ao vivo!
📌 Bônus especial: Aula completa sobre os recursos da vibração na reabilitação pélvica.
📌 Acesso por 1 ano: Todas as aulas gravadas e materiais de apoio.
📌 Grupo exclusivo no WhatsApp: Troque experiências e tire suas dúvidas!
Garanta sua vaga agora e eleve sua prática profissional! 👉 Inscreva-se aqui