Corpo e alma: por que cuidar de um sem o outro não é suficiente?

Durante muito tempo, a saúde foi compreendida a partir de uma lógica fragmentada. De um lado, o corpo era tratado como uma máquina, composta por músculos, articulações e órgãos. De outro, as emoções, os pensamentos e a dimensão existencial eram frequentemente considerados aspectos secundários do processo de adoecimento e recuperação.

Entretanto, as evidências acumuladas nas últimas décadas mostram que essa separação é artificial. O ser humano funciona como um sistema integrado, no qual fatores biológicos, psicológicos, sociais e, para muitas pessoas, espirituais ou existenciais influenciam continuamente a saúde e a qualidade de vida.

O corpo expressa aquilo que a mente e as emoções vivenciam

O organismo humano encontra-se em constante interação com o ambiente, respondendo de forma dinâmica aos estímulos físicos, emocionais e sociais. Diante de situações de estresse, ansiedade, medo ou sofrimento emocional, ocorre a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA) e do sistema nervoso autônomo, especialmente do sistema nervoso simpático. Como consequência, há aumento da liberação de cortisol e catecolaminas, alterações na resposta imunológica, modificações cardiovasculares e adaptações metabólicas que, em um primeiro momento, possuem função protetora e adaptativa (McEWEN, 1998; SAPOLSKY, 2004).

Entretanto, quando esses mecanismos permanecem ativados de forma crônica, a chamada carga alostática (allostatic load) pode favorecer o desenvolvimento ou a perpetuação de diversas condições clínicas. Entre elas destacam-se as dores musculoesqueléticas persistentes, a dor pélvica crônica, as cefaleias tensionais, os distúrbios gastrointestinais funcionais, alterações do sono, fadiga persistente e maior vulnerabilidade a processos inflamatórios (McEWEN, 1998; SAPOLSKY, 2004; ENGEL, 1977).

Nas últimas décadas, a neurociência ampliou significativamente a compreensão sobre a relação entre emoções e dor. Atualmente sabe-se que a experiência dolorosa não depende exclusivamente de lesões teciduais, mas resulta da integração de informações sensoriais, cognitivas, emocionais e contextuais realizadas pelo sistema nervoso central. Fatores como medo, hipervigilância, ansiedade, crenças negativas, experiências prévias e estresse persistente podem amplificar a percepção dolorosa por meio de mecanismos de sensibilização central e alterações no processamento cortical da dor (WOOLF, 2011; INTERNATIONAL ASSOCIATION FOR THE STUDY OF PAIN, 2020).

Além disso, experiências potencialmente traumáticas, especialmente quando recorrentes ou vivenciadas durante períodos críticos do desenvolvimento, podem produzir alterações duradouras nos circuitos neurais relacionados à memória, à regulação emocional, à percepção corporal e ao controle motor. Essas modificações podem influenciar padrões posturais, estratégias de movimento, controle respiratório, comportamento muscular e a forma como o indivíduo percebe segurança ou ameaça em seu próprio corpo (VAN DER KOLK, 2014; PORGES, 2011).

Sob essa perspectiva, o corpo deixa de ser compreendido como um sistema passivo que apenas manifesta sintomas estruturais. Ele passa a ser reconhecido como um organismo vivo que registra experiências, adapta-se continuamente ao ambiente e expressa, por meio da fisiologia e do movimento, a complexa interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. Essa compreensão está alinhada ao Modelo Biopsicossocial proposto por Engel (1977) e ao modelo da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), da Organização Mundial da Saúde, que compreendem a funcionalidade humana como resultado da interação dinâmica entre as condições de saúde, os fatores pessoais e o contexto em que o indivíduo está inserido (OMS, 2001).

O corpo também influencia a saúde emocional

A relação entre corpo e mente é bidirecional. Assim como fatores emocionais podem modificar respostas fisiológicas e comportamentais, o estado físico do organismo também exerce influência significativa sobre o funcionamento cerebral, a regulação emocional e a saúde mental. Nas últimas décadas, a neurociência, a medicina do estilo de vida e a fisiologia do exercício têm demonstrado que intervenções corporais constituem importantes estratégias para a promoção do bem-estar psicológico e para a prevenção e o tratamento de diversos transtornos mentais (PEDERSEN; SALTIN, 2015; STUBBS et al., 2018).

A prática regular de atividade física promove adaptações sistêmicas que vão muito além do fortalecimento muscular ou da melhora da capacidade cardiorrespiratória. O exercício estimula a liberação de mioquinas pelo tecido muscular, melhora a função vascular, reduz marcadores inflamatórios sistêmicos, favorece o equilíbrio do sistema nervoso autônomo e contribui para uma resposta mais eficiente ao estresse, reduzindo a carga alostática associada à exposição crônica a fatores estressores (PEDERSEN; SALTIN, 2015; McEWEN, 1998).

No sistema nervoso central, essas adaptações estão relacionadas ao aumento da neuroplasticidade, à melhora da conectividade funcional entre diferentes regiões cerebrais e ao estímulo da produção do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (Brain-Derived Neurotrophic Factor – BDNF), proteína essencial para a sobrevivência neuronal, formação de novas sinapses, aprendizagem e consolidação da memória (COTMAN; BERCHTOLD, 2002; ERICKSON et al., 2011).

Além disso, o exercício físico influencia diversos sistemas neurotransmissores, incluindo aqueles relacionados à serotonina, dopamina, noradrenalina e endocanabinoides, mecanismos que contribuem para melhora do humor, aumento da motivação, redução da ansiedade, maior capacidade de enfrentamento do estresse e diminuição da percepção da dor (DIAS et al., 2023; STUBBS et al., 2018). Embora esses mecanismos ainda estejam sendo continuamente investigados, há consenso de que a prática regular de exercícios constitui uma das intervenções não farmacológicas mais eficazes para a promoção da saúde mental.

Da mesma forma, outros componentes do cuidado corporal exercem influência direta sobre o equilíbrio emocional. A qualidade do sono está intimamente relacionada aos processos de consolidação da memória, regulação hormonal e controle emocional, enquanto padrões respiratórios mais lentos e diafragmáticos favorecem a modulação vagal, aumentando a atividade do sistema nervoso parassimpático e contribuindo para estados de maior segurança fisiológica, relaxamento e autorregulação emocional (PORGES, 2011).

Sob essa perspectiva, cuidar do corpo significa muito mais do que preservar a capacidade funcional ou prevenir doenças. Significa criar condições biológicas para que o cérebro opere de maneira mais eficiente, fortalecendo mecanismos envolvidos na aprendizagem, na adaptação ao estresse, na resiliência e na regulação das emoções.

Essa compreensão reforça um princípio fundamental da saúde integrativa: corpo e mente não representam sistemas independentes, mas componentes inseparáveis de uma mesma rede biológica. Investir em movimento, sono adequado, respiração consciente, alimentação equilibrada e hábitos saudáveis não beneficia apenas o organismo físico; promove também um ambiente neurobiológico mais favorável ao equilíbrio emocional, à saúde mental e à qualidade de vida.

O modelo biopsicossocial: uma nova forma de compreender a saúde

Durante grande parte do século XX, a prática clínica foi predominantemente orientada pelo modelo biomédico, no qual as doenças eram compreendidas como consequência direta de alterações biológicas, estruturais ou fisiológicas. Esse paradigma trouxe avanços extraordinários para a medicina, especialmente no diagnóstico e tratamento de doenças infecciosas, traumáticas e cirúrgicas. No entanto, mostrou-se insuficiente para explicar condições complexas, multifatoriais e persistentes, como as dores crônicas, os transtornos funcionais, as doenças cardiovasculares relacionadas ao estresse, diversas doenças metabólicas e inúmeras condições em que não existe uma relação linear entre lesão tecidual e intensidade dos sintomas.

Foi nesse contexto que, em 1977, o psiquiatra George L. Engel publicou um artigo histórico na revista Science, propondo o Modelo Biopsicossocial como uma nova forma de compreender o processo saúde-doença (ENGEL, 1977). Em oposição ao reducionismo biomédico, Engel argumentou que a saúde resulta da interação dinâmica entre fatores biológicos, psicológicos e sociais, sendo impossível compreender plenamente o adoecimento considerando apenas aspectos orgânicos.

Segundo esse modelo, alterações celulares, processos inflamatórios, predisposição genética e fatores biomecânicos representam apenas uma parte da história clínica. Aspectos como emoções, crenças, experiências de vida, estratégias de enfrentamento, contexto familiar, relações interpessoais, condições socioeconômicas, ambiente de trabalho, hábitos de vida, cultura e acesso aos serviços de saúde também influenciam significativamente tanto o surgimento quanto a evolução e a recuperação das doenças.

Essa perspectiva tornou-se ainda mais relevante com os avanços da neurociência e da pesquisa em dor, que demonstraram que a experiência dolorosa é modulada continuamente por processos cognitivos, emocionais e sociais. Da mesma forma, estudos em psiconeuroimunologia evidenciaram que fatores psicossociais podem influenciar respostas neuroendócrinas e imunológicas, contribuindo para a adaptação ou para a vulnerabilidade diante de diferentes condições clínicas (McEWEN, 1998; WOOLF, 2011).

Nas últimas décadas, o Modelo Biopsicossocial deixou de ser apenas uma proposta teórica e passou a orientar políticas públicas, diretrizes clínicas e programas de formação em diversas áreas da saúde. A Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), publicada pela Organização Mundial da Saúde em 2001, consolidou essa visão ao compreender a funcionalidade humana como resultado da interação entre a condição de saúde, as funções e estruturas corporais, as atividades, a participação social, os fatores ambientais e os fatores pessoais (OMS, 2001).

Na fisioterapia, essa mudança de paradigma representou uma transformação profunda do raciocínio clínico. O profissional deixa de direcionar sua atenção exclusivamente para tecidos lesionados ou alterações biomecânicas e passa a investigar como diferentes dimensões da vida do indivíduo influenciam sua funcionalidade. Dor, movimento, comportamento motor, medo, crenças sobre a doença, qualidade do sono, níveis de atividade física, suporte social e contexto ocupacional passam a ser compreendidos como elementos interdependentes, que podem favorecer ou dificultar o processo de reabilitação.

Mais recentemente, abordagens centradas na pessoa (person-centered care) reforçaram essa evolução conceitual. O foco da assistência deixa de ser apenas a doença e passa a considerar a pessoa em sua totalidade, respeitando seus objetivos, valores, preferências, contexto de vida e participação ativa nas decisões terapêuticas. Esse modelo tem sido associado a melhores resultados clínicos, maior adesão ao tratamento, satisfação do paciente e promoção da autonomia (EKMAN et al., 2011).

Assim, compreender a saúde sob a perspectiva biopsicossocial não significa minimizar a importância dos fatores biológicos, mas reconhecer que eles interagem continuamente com dimensões psicológicas, sociais e comportamentais. Essa visão integrada permite desenvolver intervenções mais individualizadas, humanizadas e fundamentadas em evidências, aproximando a prática clínica da complexidade real da experiência humana.

E onde entra a “alma”?

Na ciência, o termo “alma” não possui uma definição operacional única. Entretanto, diversas áreas utilizam conceitos próximos, como espiritualidade, propósito de vida, sentido existencial, valores pessoais e bem-estar espiritual.

A Organização Mundial da Saúde reconhece que a saúde envolve bem-estar físico, mental e social, e diversos pesquisadores defendem que a espiritualidade e o sentido da vida também exercem papel importante na promoção da saúde e na adaptação às doenças.

Para muitas pessoas, cultivar relacionamentos significativos, desenvolver propósito, praticar gratidão, meditação, oração ou outras formas de conexão interior representa um fator de proteção importante diante do sofrimento físico e emocional.

A integração é o verdadeiro caminho

Os avanços das ciências da saúde nas últimas décadas têm demonstrado que intervenções isoladas, centradas exclusivamente na dimensão física ou apenas nos aspectos emocionais, frequentemente apresentam resultados limitados diante da complexidade do processo saúde-doença. Cada vez mais, a prática clínica baseada em evidências reconhece que a funcionalidade humana emerge da interação contínua entre fatores biológicos, psicológicos, sociais e, para muitas pessoas, espirituais ou existenciais (ENGEL, 1977; OMS, 2001).

Na fisioterapia, essa mudança de paradigma tem transformado profundamente o raciocínio clínico. Embora intervenções direcionadas às alterações biomecânicas, ao controle motor, à mobilidade articular e ao fortalecimento muscular sejam fundamentais, elas nem sempre são suficientes para explicar ou modificar condições persistentes, especialmente quando fatores como dor crônica, medo do movimento, estresse, distúrbios do sono, baixa autoeficácia, ansiedade ou limitações sociais participam da manutenção do quadro clínico (WOOLF, 2011; NICOLSON et al., 2017).

Da mesma forma, abordagens focadas exclusivamente na dimensão emocional também podem ser insuficientes quando existem déficits funcionais importantes, alterações de coordenação motora, perda de força, limitações biomecânicas, disfunções respiratórias ou comprometimentos da capacidade física que necessitam de intervenção específica baseada em exercício terapêutico e treinamento funcional.

A literatura contemporânea reforça que a recuperação mais consistente ocorre quando o cuidado considera a pessoa em sua integralidade. Isso implica compreender que postura, movimento, respiração, sono, alimentação, atividade física, controle motor, emoções, relações interpessoais, crenças, comportamento, contexto ocupacional e ambiente social não atuam de forma independente, mas constituem um sistema integrado que influencia continuamente a funcionalidade e a qualidade de vida (ENGEL, 1977; OMS, 2001).

Essa perspectiva encontra respaldo na Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), proposta pela Organização Mundial da Saúde. Diferentemente dos modelos centrados exclusivamente na doença, a CIF compreende a funcionalidade como resultado da interação dinâmica entre a condição de saúde, as funções e estruturas corporais, as atividades desempenhadas, a participação social, os fatores ambientais e os fatores pessoais. Assim, dois indivíduos com o mesmo diagnóstico podem apresentar níveis completamente diferentes de funcionalidade, dependendo do contexto em que vivem, de seus recursos físicos, emocionais, cognitivos e sociais (OMS, 2001).

Nos últimos anos, essa visão integrada também tem sido fortalecida pelo conceito de cuidado centrado na pessoa (person-centered care). Nessa abordagem, o tratamento deixa de ser direcionado apenas à patologia e passa a considerar os objetivos, valores, preferências, experiências e necessidades individuais de cada paciente. Estudos demonstram que esse modelo favorece maior adesão ao tratamento, melhora dos desfechos clínicos, fortalecimento da autonomia e maior satisfação tanto dos pacientes quanto dos profissionais de saúde (EKMAN et al., 2011).

Essa compreensão amplia significativamente o papel da fisioterapia. O fisioterapeuta não atua apenas restaurando tecidos ou corrigindo padrões de movimento, mas facilitando processos de adaptação funcional, promovendo educação em saúde, estimulando o autocuidado e favorecendo estratégias que aumentem a capacidade do indivíduo de participar plenamente de suas atividades e de sua vida em sociedade.

Considerações finais

Cuidar do corpo sem considerar as emoções, os comportamentos, os relacionamentos e o contexto de vida pode aliviar sintomas, mas nem sempre promove mudanças sustentáveis.

Da mesma forma, abordar apenas os aspectos emocionais, sem considerar as limitações funcionais, as alterações biomecânicas e as necessidades físicas do organismo, reduz o potencial terapêutico e pode comprometer a recuperação.

A saúde não resulta da escolha entre corpo ou mente, entre biologia ou emoções. Ela emerge da integração dessas dimensões, reconhecendo que o ser humano é um sistema complexo, adaptativo e profundamente influenciado pela interação entre fatores biológicos, psicológicos, sociais e, para muitas pessoas, espirituais.

É nesse encontro entre ciência, movimento, comportamento, consciência e significado que se constrói um cuidado verdadeiramente integral.

Promover saúde, prevenir doenças e restaurar a funcionalidade exige mais do que tratar sintomas. Exige compreender a pessoa em sua totalidade, respeitando sua história, seu contexto, seus objetivos e sua singularidade.

Talvez esse seja o maior desafio e também a maior oportunidade das ciências da saúde no século XXI: abandonar a fragmentação e reconhecer que a verdadeira transformação acontece quando diferentes dimensões da vida deixam de competir entre si e passam a trabalhar em harmonia.

Esse é o fundamento de uma prática clínica contemporânea, humanizada e baseada em evidências: cuidar da pessoa, e não apenas da doença.

Referências

COTMAN, Carl W.; BERCHTOLD, Nicole C. Exercise: a behavioral intervention to enhance brain health and plasticity. Trends in Neurosciences, v. 25, n. 6, p. 295–301, 2002.

EKMAN, Inger et al. Person-centered care—Ready for prime time. European Journal of Cardiovascular Nursing, v. 10, n. 4, p. 248–251, 2011.

ENGEL, George L. The need for a new medical model: A challenge for biomedicine. Science, v. 196, n. 4286, p. 129–136, 1977.

ERICKSON, Kirk I. et al. Exercise training increases size of hippocampus and improves memory. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS), v. 108, n. 7, p. 3017–3022, 2011.

INTERNATIONAL ASSOCIATION FOR THE STUDY OF PAIN (IASP). IASP Terminology. Washington, DC: IASP, 2020.

McEWEN, Bruce S. Protective and damaging effects of stress mediators. The New England Journal of Medicine, v. 338, n. 3, p. 171–179, 1998.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Constitution of the World Health Organization. Geneva: World Health Organization, 1948.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Genebra: Organização Mundial da Saúde, 2001.

PEDERSEN, Bente Klarlund; SALTIN, Bengt. Exercise as medicine – evidence for prescribing exercise as therapy in 26 different chronic diseases. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, v. 25, Suppl. 3, p. 1–72, 2015.

PORGES, Stephen W. The Polyvagal Theory: Neurophysiological Foundations of Emotions, Attachment, Communication, and Self-Regulation. New York: W. W. Norton & Company, 2011.

SAPOLSKY, Robert M. Why Zebras Don’t Get Ulcers. 3. ed. New York: Henry Holt and Company, 2004.

STUBBS, Brendon et al. EPA guidance on physical activity as a treatment for severe mental illness: A meta-review of the evidence and position statement from the European Psychiatric Association (EPA). European Psychiatry, v. 54, p. 124–144, 2018.

VAN DER KOLK, Bessel A. The Body Keeps the Score: Brain, Mind, and Body in the Healing of Trauma. New York: Viking, 2014.

WOOLF, Clifford J. Central sensitization: Implications for the diagnosis and treatment of pain. Pain, v. 152, Suppl. 3, p. S2–S15, 2011.

Como essa visão se traduz na minha prática clínica

Ao longo de mais de 25 anos de atuação na fisioterapia, compreendi que nenhuma técnica, por melhor que seja, consegue explicar sozinha a complexidade do ser humano.

Foi dessa percepção, associada à prática clínica, ao estudo contínuo e às evidências científicas, que desenvolvi uma forma de avaliação e tratamento baseada na integração dos diferentes sistemas que influenciam a funcionalidade humana.

Meu trabalho parte do princípio de que o corpo não deve ser analisado apenas por estruturas isoladas ou pela presença de um sintoma. A dor, a limitação funcional ou uma disfunção do assoalho pélvico são compreendidas dentro de um contexto mais amplo, considerando a interação entre postura, movimento, respiração, controle motor, sistema nervoso, hábitos de vida, fatores emocionais e demandas funcionais de cada pessoa.

Essa abordagem, que fundamenta a Cinésio Pélvica e o conceito de Organização Corporal Integrada, não busca apenas reduzir sintomas. O objetivo é compreender os fatores que contribuem para a manutenção da disfunção, restaurar a funcionalidade, promover autonomia e construir estratégias que favoreçam resultados consistentes e duradouros.

Cada avaliação é realizada de forma individualizada, respeitando a história, os objetivos e o contexto de vida do paciente. A partir desse raciocínio clínico integrado, o plano terapêutico é estruturado utilizando recursos baseados em evidências, como educação em saúde, exercícios terapêuticos, treinamento funcional, reeducação respiratória, estratégias de controle motor, terapia manual, recursos para reabilitação do assoalho pélvico e acompanhamento contínuo da evolução clínica.

Além do atendimento aos pacientes, compartilho esse conhecimento por meio de cursos, mentorias, consultorias e programas de formação destinados a fisioterapeutas e profissionais do movimento. Meu propósito é contribuir para uma prática clínica cada vez mais integrada, humanizada e fundamentada na melhor evidência científica disponível.

Acredito que promover saúde vai além de tratar uma região do corpo. Significa compreender a pessoa em sua totalidade, reconhecer a singularidade de cada história e utilizar a ciência como ferramenta para construir intervenções mais eficazes, respeitosas e transformadoras.

Se você busca um acompanhamento que considere não apenas o sintoma, mas a sua funcionalidade, seus objetivos e o contexto da sua vida, será um prazer caminhar ao seu lado nesse processo de cuidado e reabilitação.

Da mesma forma, se você é fisioterapeuta ou profissional do movimento e deseja aprofundar seu raciocínio clínico e desenvolver uma abordagem integrada, conheça meus programas de formação, mentorias e consultorias. Compartilhar conhecimento é uma forma de ampliar o impacto do cuidado e fortalecer uma prática clínica baseada em evidências e centrada na pessoa.

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